Cantina

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma estranha sensação

Na última terça-feira, 18 de maio, eu estava na Faculdade em meio a uma aula de interpretação textual quando soube de um homicídio ocorrido na cidade. Naquele momento o instinto da jornalista foi mais forte que o da acadêmica, imediatamente eu e João, meu colega de curso e patrão, saímos em direção ao bairro Bonadiman. Ao chegarmos à Rua 18 já avistamos uma pequena aglomeração em frente a residência 74.
O portão da garagem estava entreaberto e possibilitava a apreciação do corpo. A mulher, morena, jovem, bonita, estava limpando a casa no momento em que foi atingida por três tiros, usava luvas de borracha, toca nos cabelos, tinha 28 anos, solteira, sem filhos...
Eu, tão acostumada a presenciar cenas parecidas com aquela, cheguei a imaginar que minha capacidade de comoção estivesse bloqueada, afinal, fotografo homicídios, anoto detalhes e volto para a casa como se nada de anormal tivesse acontecido. Muito mais fácil eu me impressionar ao ler a matéria pronta, matérias que eu mesma escrevi. Mas, naquela noite alguma coisa estava diferente, o choro dos familiares, a bíblia sagrada acomodada logo à entrada da casa, a idade daquela mulher muito próxima a minha, só que ela morreu. Eu casei, ela não, eu tenho um filho, ela nunca terá, eu estou viva, ela não! Ela morava em uma casa muitíssimo melhor que a minha, era mais bonita do que eu, passeava a bordo de uma caminhote novinha; eu ando a pé...mas estou viva!
Não consigo explicar o que aconteceu, mas a morte desta mulher mexeu comigo, tanto que hoje, eu busquei o perfil dela no orkut, confesso que me emocionei ao ver as fotografias. Ao  descrever-se ela revelou que muitos a consideravam doida, que adorava bonecas, que gostaria de matar algumas pessoas, que não sabia agir ao amar, que amava a família, enfim.... Que era tão humana e sucetível ao erro como qualquer outra pessoa. Bela, leve, fútil, volátil. Butterfly

Um comentário:

  1. NOSSA, LENDO ESSE TEXTO, NÃO SABIA QUE VC TINHA PENSADO E PASSADO POR ISSO... A MORTE DELA TAMBÉM MEXEU COMIGO...
    EU PENSEI NAQUELE DIA, ELA TINHA MESMA IDADE QUE EU, MORAVA SOZINHA,NÃO TINHA FILHOS COMO EU, MAIS GRAÇAS A DEUS HOJE TENHO UM NOIVO QUE SE FAZ TÃO PRESENTE EM MINHA VIDA. MAIS PASSOU MILHÕES DE COISAS NA MINHA MENTE, MAIS ESTOU FELIZ, O BOM OU RUIM ESTOU VIVA.

    PARABÉNS MIC, GOSTEI DO TEXTO.

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