Cantina

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domingo, 30 de maio de 2010

Diploma de jornalismo: Obrigatoriedade e necessidade


Desde junho de 2009, os jornalistas e estudantes de jornalismo do Brasil, estão em debate com uma nova e polêmica questão: A obrigatoriedade ou não do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Em junho o Supremo Tribunal Federal votou contra a obrigatoriedade. Entretanto, a essa decisão cabe argumentos, o principal deles, creio, seria o de levantar a exigência do diploma de graduação como um direito da sociedade à boa informação, com ética, imparcialidade e técnica, e isso é aprendido em cursos superiores de graduação em jornalismo.

Um dos mais errôneos argumentos feitos a favor da queda do diploma é o da liberdade de expressão não ser cumprida por conta da exigência, afinal, todo o profissional preparado para atuar na área, ouve toda a sorte de opiniões e argumentações antes de publicar sua matéria e nela, qualquer cidadão tem o mesmo direito de se manifestar.

O jornalismo unilateral, aquele que é tendencioso e acaba por não abrir espaço a todos, nada tem a ver com a exigência ou não do diploma. Quem limita as fontes, na maioria das vezes é a linha editorial do veículo, que precisa respeitar horários, respeitar o espaço disponível, interesses ideológicos, mercadológicos... Esse tipo de problema não será resolvido com a queda ou obrigação de diploma, mas, todo aquele que tiver passado pelo banco de um curso superior, saberá entender o que acontece no veículo em que trabalha e saberá optar pelo veículo que melhor traduza sua identidade profissional.

É importante ressaltar, que qualquer pessoa pode escrever sobra a área em que é especializada, para isso existem os articulistas e colunistas, que assinam seus textos e abordam temas que dominam. Além disso, hoje em dia o número de faculdades de jornalismo no Brasil, já abrange quase todo o território nacional.

Em meio a tantas possibilidades de se expressar opinião, caberia ainda argumentar que a regulamentação da profissão implica no cerceamento à liberdade de expressão?

Beth Costa, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, ao defender a regulamentação da profissão, buscou na história da profissão exemplos e argumentos. Ela diz que a defesa do diploma e de escolas qualificadas, remonta ao primeiro congresso de jornalistas, em 1918, que teve três marcos iniciais no século XX: A primeira regulamentação, em 1938, a fundação da Faculdade Cásper Líbero, em 1947 (primeiro curso de jornalismo do Brasil); e o reconhecimento jurídico da necessidade de formação superior, em 1969. Neste contexto, a queda do diploma representa um retrocesso e uma traição à história da profissão.

A validação da profissão de jornalista resultou num aperfeiçoamento de princípios teóricos e técnicos. Valores como ética e estética passaram a ser enaltecidos.

Em países em que não há exigência do diploma, como nos europeus, há um movimento para que a regulamentação aconteça, a cada ano novos documentos são produzidos e o reflexo disso é o crescimento pela procura dos cursos superiores.

A regulamentação de uma profissão, nada mais é do que a representação do respeito pelo exercício e pelo profissional. No caso do jornalismo, há de se considerar que as informações produzidas por ele afetam a toda a sociedade e podem, inclusive, desencadear problemas sociais, quando disseminadas de maneira errada ou irresponsável. Portanto, sim à exigência da qualificação profissional.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma estranha sensação

Na última terça-feira, 18 de maio, eu estava na Faculdade em meio a uma aula de interpretação textual quando soube de um homicídio ocorrido na cidade. Naquele momento o instinto da jornalista foi mais forte que o da acadêmica, imediatamente eu e João, meu colega de curso e patrão, saímos em direção ao bairro Bonadiman. Ao chegarmos à Rua 18 já avistamos uma pequena aglomeração em frente a residência 74.
O portão da garagem estava entreaberto e possibilitava a apreciação do corpo. A mulher, morena, jovem, bonita, estava limpando a casa no momento em que foi atingida por três tiros, usava luvas de borracha, toca nos cabelos, tinha 28 anos, solteira, sem filhos...
Eu, tão acostumada a presenciar cenas parecidas com aquela, cheguei a imaginar que minha capacidade de comoção estivesse bloqueada, afinal, fotografo homicídios, anoto detalhes e volto para a casa como se nada de anormal tivesse acontecido. Muito mais fácil eu me impressionar ao ler a matéria pronta, matérias que eu mesma escrevi. Mas, naquela noite alguma coisa estava diferente, o choro dos familiares, a bíblia sagrada acomodada logo à entrada da casa, a idade daquela mulher muito próxima a minha, só que ela morreu. Eu casei, ela não, eu tenho um filho, ela nunca terá, eu estou viva, ela não! Ela morava em uma casa muitíssimo melhor que a minha, era mais bonita do que eu, passeava a bordo de uma caminhote novinha; eu ando a pé...mas estou viva!
Não consigo explicar o que aconteceu, mas a morte desta mulher mexeu comigo, tanto que hoje, eu busquei o perfil dela no orkut, confesso que me emocionei ao ver as fotografias. Ao  descrever-se ela revelou que muitos a consideravam doida, que adorava bonecas, que gostaria de matar algumas pessoas, que não sabia agir ao amar, que amava a família, enfim.... Que era tão humana e sucetível ao erro como qualquer outra pessoa. Bela, leve, fútil, volátil. Butterfly

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Apresentação

Olá,
Sou Michele Ribeiro, tenho 26 anos e atualmente curso jornalismo. Atuo na área da comunicação há seis anos, mas somente agora tomei coragem para criar um blog. Minha intenção é manter neste espaço várias informações, de cunho jornalístico ou não, que obtenho por meio de coberturas, mas que não "cabem" em matérias oficiais, ou então, em caso de carência, usarei este blog como confessionário e aliado.

Um pouco mais de mim:

Sou casada, mãe, apaixonada por comunicação, nascida no Rio Grande do Sul e radicada na Bahia. Pouco a pouco iremos nos conhecer melhor, seja por meio de meus artigos ou devaneios intimistas.

Abraço e até breve.