As belezas naturais do Rio de Janeiro cuidadosamente aproveitadas para o embelezamento da fotografia. Muitas cores, trilha e ângulos bem aplicados. No roteiro romance e crítica social, humor e ritmo. Essa é a composição de “Rio”, desde já sucesso de bilheteria. Se alguém ainda duvida, pode largar o pré-conceito e deliciar-se como bem contar dos fatos deste filme de Carlos Saldanha, enriquecido (e muito) pela trilha sonora de Sergio Mendes.
Apesar do tecer de elogios, nem tudo são flores, aliás, um dos deslizes fica por conta das flores. Afinal, quem já viu Ipês floridos em dias de carnaval? Pois é, só no filme. Digamos que essa tenha sido uma licença poética do diretor. Pensando bem, que diferença isso faz em um filme em que as aves conversam? Coisas de animação! Outra crítica é quanto à fórmula pronta de final feliz e previsível, mas essa análise seria lugar comum.
O filme conta a história da ararinha Blu, vítima do tráfico de animais. Ainda bebê, a arara vai para os Estados Unidos e é cuidada durante quinze anos por Linda. Até que um dia um veterinário, usando um cachecol (não por acaso) verde e amarelo, encontra Blu e convence Linda a deixá-lo ir ao Brasil a fim de dar continuidade a espécie, já que existiria apenas um casal de Blue birds, no caso Jade e Blu. Ah sim, o veterinário em questão é Tulio, que vive um romance com Linda .A narrativa do tráfico de animais deixa evidente a crítica social e ambiental embutidas no contexto.
A favela ajuda a contar a história do menino pobre que participa do tráfico de aves, mas arrepende-se. Graças a esse arrependimento o filme caminha para a sua resolução e final feliz.
O surpreendente do trabalho de Saldanha é a capacidade de usar elementos fieis ao Rio de Janeiro. Desde os arcos da Lapa ao Cristo, que aparece engrandecido por um uma panorâmica. Na composição entra ainda a pedra da Gávea, o Pão de Açúcar, o contraste com a favela e os avantajados quadris das nativas. Ao trazer “o jeito” do povo, Saldanha usa o carnaval e o futebol e Sérgio Mendes faz deles parte da trilha sonora. O casamento da trilha, diegética (como o canto dos pássaros) ou não, com as situações narradas é impecável. Ponto para Mendes! Outro recurso do filme é o uso de sequências de musicais. Elemento tomado emprestado da animação “A era do gelo 2”, também dirigido por Saldanha e “Madagascar”.
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