O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o uso de humor nas divulgações políticas no período eleitoral. A decisão foi dada em 2 de setembro. Por seis votos a três, a maioria dos ministros decidiu derrubar a censura aos veículos de comunicação. O ministro Carlos Ayres Britto argumentou que o período de eleição é o momento em que a imprensa precisa ter liberdade ainda maior. Apesar de óbvias, nós da imprensa agradecemos as palavras.
Com o apoio de jornalistas, intelectuais, humoristas, artistas de teatro e tevê e da Repórteres sem Fronteiras, uma ONG que lidera uma rede internacional de defesa da liberdade de imprensa, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) entrou com recurso questionando a constitucionalidade da Lei n.º 9.504/97, que disciplina as campanhas eleitorais.
Quando o Congresso aprovou essa restrição, alguns deputados e senadores reconheceram que estavam legislando em causa própria. Como a atividade legislativa e a vida partidária passaram a ser cada vez mais protagonizadas por personagens que se prestam a "gozações", a classe política procurou evitar essa forma de crítica silenciando as emissoras. Os humoristas classificaram a iniciativa como "forma de intimidação".
Essa liberação prevê a possibilidade dos veículos publicarem em editoriais opiniões acerca dos candidatos, assim sendo, faremos uso do nosso direito recuperado.
Começaremos por um dos protagonistas desta eleição, ele é candidato ao cargo de deputado federal pelo estado de São Paulo. É conhecido do grande público pelo codinome Tiririca e faz uma campanha digna de estrelar os mais elevados quadros humorísticos. Ele debocha da democracia e lança um questionamento: “O que faz um deputado federal?” e responde: “Eu não sei, mas vote em mim que depois eu te conto”. É piada! Ou melhor, é verdade! Ele é candidato e o seu slogan é: “ Vote em Tiririca, pior do que tá não fica”, puro deboche cheio de franqueza.
Partiremos agora para uma análise presidenciável. Serra declara tristeza. A causa é a quebra do sigilo fiscal da filha. A imprensa mexe em tudo e anuncia: um dos envolvidos é partidário do PV o outro é filiado ao PT. Dilma, Lula e companhia limitada negam qualquer envolvimento. Do outro lado estão os eleitores, sem saber em quem confiar, no que acreditar, é uma bagunça. Uma confusão que seria engraçada se não fosse dramática. Afinal, uma questão como essa pode influenciar no futuro do país. É coisa séria.
A principal acusada do caso, senhora Dilma, parece que não quer saber do assunto, mas também fala da filha que teve uma filha. Viva a família! A mulher com ares de inspetora escolar de filminhos da Disney tem uma família. Uma filha e até uma neta. Ela tem uma imagem matriarcal para vender. E o público? E os eleitores? Esses ficam lá no meio de tudo isso, prestes a serem atingidos neste bang-bang eleitoral obrigatório gratuito. Gratuito? Será? Em qual sentido? Deixaremos essa discussão para outro editorial.
Para não dizer que não falamos de Marina, a candidata verde também passou por adequações. Chegou a ser flagrada com cabelos em rabo de cavalo, devidamente escovados. Usa colares, todos de artesanato e ambientalmente corretos. Pena que ela tenha tão pouco tempo para falar. Enquanto uns tem muitos minutos, ela tem muito poucos. Isso é lição de democracia? Acreditamos que não. Se perante as leis somos todos iguais e temos os mesmos direitos e deveres, o horário eleitoral gratuito deveria também ceder espaço igual a todos os candidatos. Mas as alianças cuidadosamente tramadas definem os tempos. Mas eles falam, neste mesmo horário, em igualdade. Só pode ser piada. Amenizando: É uma contradição.
Mas, voltando ao assunto inicial, o uso de piadas, charges, sátiras e afins têm um enorme potencial persuasivo. Com seu efeito corrosivo, eles ajudam o eleitorado a discernir entre as alternativas que lhes são oferecidas. Em alguns casos, simples piadas podem valer muito mais do que discursos pomposos, desnudando as contradições, as mentiras e o despreparo que os bem remunerados assessores de marketing político dos candidatos se empenham em ocultar.
"A decisão do Supremo é uma vitória da democracia, que fortaleceu o princípio constitucional das liberdades de expressão e de imprensa", disse o presidente da Abert, Daniel Slaviero. Concordamos.
Por: Michele Ribeiro, com informações do blog do Professor Paulo Moura.

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